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Presidenciais: Soares promete não deixar mexer em liberdades, direitos e garantias

27.11.2005 - 22h14 Lusa

O candidato presidencial Mário Soares prometeu hoje em Évora que, caso seja eleito, não vai deixar "mexer" nas liberdades, direitos e garantias dos cidadãos, nem permitir que surjam situações de "conflitualidade grave"."

A primeira promessa que faço aos portugueses e que transmito aqui em Évora é a de que, comigo, não se pode mexer nos direitos, nas liberdades, garantias e nos haveres dos cidadãos", frisou.

O antigo Presidente da República, que volta a participar na "corrida" a Belém nas eleições de Janeiro, falava na inauguração da sua sede de candidatura na cidade alentejana, rodeado de apoiantes, nomeadamente os principais dirigentes regionais do PS.

Na Praça do Giraldo, Soares foi recebido por inúmeros apoiantes e pela tuna "Seis Tetos", da Universidade de Évora, rumando depois a pé para a sede de campanha, onde o músico Vitorino se juntou aos estudantes universitários.

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O candidato criticou o "desenvolvimento demasiado neo-liberal" da Europa e defendeu o regresso aos "valores da solidariedade, dos direitos humanos e do direito internacional".

No caso de Portugal, disse, os direitos, liberdades e garantias conquistados após do 25 de Abril "são absolutamente fundamentais para o futuro e o progresso do país".

Assegurando que esta sua nova candidatura a Belém é "especial", Soares frisou que pretende "ouvir os portugueses" e disse acreditar que "é possível tirar Portugal do mau momento que atravessa", desde que o caminho do progresso se faça pelo "diálogo, pela paciência e pela discussão entre os diferentes interessados".

"Por isso, penso que posso evitar, não a conflitualidade que é natural em democracia, mas sim a conflitualidade grave, a que pode por em causa as nossas próprias instituições. É isso que vos prometo", disse.

Sustentando que é possível conciliar o desenvolvimento económico e a competitividade internacional com a manutenção dos direitos dos cidadãos, Mário Soares salientou que o país precisa de estabilidade, para a qual o Presidente da República deve contribuir.

"O presidente eleito, por mais boa vontade que tenha, não governa. Não é ele que define ou executa as políticas e as reformas. Esse papel cabe ao Governo legítimo do país".

Segundo o candidato, é o partido maioritário saído das eleições, "ou partidos, se for uma coligação", que dá sustentabilidade ao Governo.

"E dá essa sustentabilidade por quatro anos. É indispensável que essa legitimidade e esse mandato sejam cumpridos para que os portugueses possam apreciar se o Governo o que fez ou não, sem dizerem, imediatamente a seguir à constituição do executivo, que não presta porque fere certos interesses corporativos", sublinhou.

Ainda assim, Soares realçou que a estabilidade não invalida que exista o "direito à indignação" dos cidadãos e considerou "normal" a existência de greves.

O antigo Presidente da República solicitou mesmo à sua equipa de campanha no distrito de Évora que impulsione "o pluralismo" e promova o debate sobre os problemas quotidianos das pessoas.

Fonte: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1240249